A saga de uma meia-maratona e dois semi-gordos em dois atos (ou mais)
- Ato 1 -
A vida andava, ou melhor, se arrastava sem grandes emoções. Os quilos acumulavam-se feito pizza com borda recheada de catupiri (ou chaeder, como preferir). A diferença básica é que sua mulher até pode gostar da borda de catupiri na pizza, mas em você meu amigo, esquece. A minha passou a me chamar de "Bonequinho da Michelin". E eu, na minha santa ingenuidade pensando que era um apelido carinhoso. Foi quando percebi aquele maldito espelho grande no quarto. Que infeliz idéia de tirar a camisa em frente a ele. Até hoje acho que foi um ângulo equivocado... Não pode! Meu reflexo quase não cabia nele. E olha que não é pequeno não... Foi quando decidi “tomar” uma “atitude”!
Gente, não posso dizer que “tomei” pouco porque estaria mentindo a todos. Foram alguns litros de chopp, devidamente acompanhados dos mais variados quitutes que a culinária moderna, ou nem tanto, podem oferecer a um gordinho feliz: Hackapeter, Hollmops, Nachos, Alcatra, Picanha, Aipim frito enrolado no bacon, sem é claro, deixar de citar o bom e velho amendoim salgado. Estava ficando indignado como, mesmo tomando tamanha precaução, os quilos não diminuíam, pelo contrário, só faziam aumentar. Aumentaram até a incrível marca dos 106 Kg. A única coisa que não me apetecia era a tal pizza com borda de catupiri...
Quando casei, compramos um bom colchão, com dois anos de garantia. Após um ano e meio de uso, estava virado numa canoa. Minha esposa reclamando de dor nas costas. Já não agüentando mais as reclamações, decidi “tomar” mais uma “atitude”.
- Vou pegar esta porcaria de colchão e vou reclamar a garantia.
O susto foi grande quando, cheio de razão, peguei o termo da garantia e resolvi dar uma “espiada”, daquelas “só pra confirmar”. Escrito em letras garrafais estava o fatídico número 90. 90 Kg de limite de peso. Lembrei-me naquele instante que, ao casar e comprar o colchão, havia pensado com meus botões: “Nunca que eu vou passar dos 90 Kg!”. Triste ilusão. Sutil como um martelo batendo no meu dedão sobre uma bigorna gélida, ecoou em minha cabeça aquele apelido carinhoso que minha esposa passara a utilizar com sua doce voz: “bonequinho da Michelin”. Somou-se ao fato do colchão, e do apelido carinhoso, uma alta na pressão sanguínea que quase me derrubou dentro de uma agência bancária da cidade. Foi quando decidi não mais “tomar” aquela “atitude”!
Ciente de que estava um pouco fora de forma, embora apenas com alguns quilinhos acima do peso ideal, decidi fazer um regiminho só pra agradar a patroa. Não que eu precisasse, pois, na minha opinião o colchão, de bom, passara a ser vagabundo no instante em que vi aquele 90 Kg das letras garrafais.
Passei a não mais freqüentar as noitadas de chopp, deixei de comer coisas muito gordurosas, aumentei a dose de frutas e verduras, à noite, só uma fatia de pão. Perceba que praticamente deixei de viver. Comprei uma bicicleta, passei a pedalar 15 Km por dia, correr três vezes por semana, chegando ao ponto de fazer cerca de 1.500 abdominais por dia. Foram dias difíceis. Ao final de 4 meses árduos, havia perdido 14 Kg. Gente, vou dizer-lhes uma coisa. Como é bom poder olhar aquele maldito espelho e ver que o reflexo voltou a caber lá dentro... Até colchão novo comprei pra comemorar a nova fase. Bonequinho da Michelin, nunca mais...
Paralela à minha história, a de outro ser humano se desenrolava, com mote semelhante. Gordinho, fora de forma, batalhando para realizar uma prova de seleção em um concursozinho qualquer destes que vivem tendo resultados forjados, o jovem AOPadilha vem fazendo esforço descomunal para cumprir todas as “provas” de aptidão física dentro dos tempos previstos pelo concurso. Ingênuo como só ele e eu, apesar de cumprir todas as metas estabelecidas no concurso, foi desclassificado só Deus e os bandidos sabem como. No Brasil, sabe como é, o pessoal adora ter sua mão molhada, sendo enxugada por notas verdinhas. Mas o jovem AOPadilha não desanimou e resolveu que queria fazer algo GRANDIOSO em sua vida simplória. Numa noite de sono pesado, “sonhou”, ou teve um “pesadelo”, (até hoje não encontrei a definição exata), que um dia cruzaria a linha de chegada de uma meia-maratona. Ao acordar, concluiu o jovem cidadão que esta era uma boa idéia. E o que é pior... desafiou-me a compartilhar esta GRANDIOSA GLÓRIA. Como todo bom semi-gordinho, agora acreditando estar em plena forma física aos 92 Kg, aceitei o desafio.
Firmou-se o pacto. Em um ano, estaremos correndo uma meia-maratona. Não para ganhar, mas para podermos um dia, dizer aos nossos filhos que fizemos algo útil nessa vida, se é que pode-se chamar isso de "útil"...
Continua em breve...
A vida andava, ou melhor, se arrastava sem grandes emoções. Os quilos acumulavam-se feito pizza com borda recheada de catupiri (ou chaeder, como preferir). A diferença básica é que sua mulher até pode gostar da borda de catupiri na pizza, mas em você meu amigo, esquece. A minha passou a me chamar de "Bonequinho da Michelin". E eu, na minha santa ingenuidade pensando que era um apelido carinhoso. Foi quando percebi aquele maldito espelho grande no quarto. Que infeliz idéia de tirar a camisa em frente a ele. Até hoje acho que foi um ângulo equivocado... Não pode! Meu reflexo quase não cabia nele. E olha que não é pequeno não... Foi quando decidi “tomar” uma “atitude”!
Gente, não posso dizer que “tomei” pouco porque estaria mentindo a todos. Foram alguns litros de chopp, devidamente acompanhados dos mais variados quitutes que a culinária moderna, ou nem tanto, podem oferecer a um gordinho feliz: Hackapeter, Hollmops, Nachos, Alcatra, Picanha, Aipim frito enrolado no bacon, sem é claro, deixar de citar o bom e velho amendoim salgado. Estava ficando indignado como, mesmo tomando tamanha precaução, os quilos não diminuíam, pelo contrário, só faziam aumentar. Aumentaram até a incrível marca dos 106 Kg. A única coisa que não me apetecia era a tal pizza com borda de catupiri...Quando casei, compramos um bom colchão, com dois anos de garantia. Após um ano e meio de uso, estava virado numa canoa. Minha esposa reclamando de dor nas costas. Já não agüentando mais as reclamações, decidi “tomar” mais uma “atitude”.
- Vou pegar esta porcaria de colchão e vou reclamar a garantia.
O susto foi grande quando, cheio de razão, peguei o termo da garantia e resolvi dar uma “espiada”, daquelas “só pra confirmar”. Escrito em letras garrafais estava o fatídico número 90. 90 Kg de limite de peso. Lembrei-me naquele instante que, ao casar e comprar o colchão, havia pensado com meus botões: “Nunca que eu vou passar dos 90 Kg!”. Triste ilusão. Sutil como um martelo batendo no meu dedão sobre uma bigorna gélida, ecoou em minha cabeça aquele apelido carinhoso que minha esposa passara a utilizar com sua doce voz: “bonequinho da Michelin”. Somou-se ao fato do colchão, e do apelido carinhoso, uma alta na pressão sanguínea que quase me derrubou dentro de uma agência bancária da cidade. Foi quando decidi não mais “tomar” aquela “atitude”!
Ciente de que estava um pouco fora de forma, embora apenas com alguns quilinhos acima do peso ideal, decidi fazer um regiminho só pra agradar a patroa. Não que eu precisasse, pois, na minha opinião o colchão, de bom, passara a ser vagabundo no instante em que vi aquele 90 Kg das letras garrafais.
Passei a não mais freqüentar as noitadas de chopp, deixei de comer coisas muito gordurosas, aumentei a dose de frutas e verduras, à noite, só uma fatia de pão. Perceba que praticamente deixei de viver. Comprei uma bicicleta, passei a pedalar 15 Km por dia, correr três vezes por semana, chegando ao ponto de fazer cerca de 1.500 abdominais por dia. Foram dias difíceis. Ao final de 4 meses árduos, havia perdido 14 Kg. Gente, vou dizer-lhes uma coisa. Como é bom poder olhar aquele maldito espelho e ver que o reflexo voltou a caber lá dentro... Até colchão novo comprei pra comemorar a nova fase. Bonequinho da Michelin, nunca mais...
Paralela à minha história, a de outro ser humano se desenrolava, com mote semelhante. Gordinho, fora de forma, batalhando para realizar uma prova de seleção em um concursozinho qualquer destes que vivem tendo resultados forjados, o jovem AOPadilha vem fazendo esforço descomunal para cumprir todas as “provas” de aptidão física dentro dos tempos previstos pelo concurso. Ingênuo como só ele e eu, apesar de cumprir todas as metas estabelecidas no concurso, foi desclassificado só Deus e os bandidos sabem como. No Brasil, sabe como é, o pessoal adora ter sua mão molhada, sendo enxugada por notas verdinhas. Mas o jovem AOPadilha não desanimou e resolveu que queria fazer algo GRANDIOSO em sua vida simplória. Numa noite de sono pesado, “sonhou”, ou teve um “pesadelo”, (até hoje não encontrei a definição exata), que um dia cruzaria a linha de chegada de uma meia-maratona. Ao acordar, concluiu o jovem cidadão que esta era uma boa idéia. E o que é pior... desafiou-me a compartilhar esta GRANDIOSA GLÓRIA. Como todo bom semi-gordinho, agora acreditando estar em plena forma física aos 92 Kg, aceitei o desafio.Firmou-se o pacto. Em um ano, estaremos correndo uma meia-maratona. Não para ganhar, mas para podermos um dia, dizer aos nossos filhos que fizemos algo útil nessa vida, se é que pode-se chamar isso de "útil"...
Continua em breve...

1 Comentários:
Não esquece que nessa maratona estaremos carregando aquela faixa.. ;-)
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