14 junho 2008

A saga de uma meia-maratona e dois semi-gordos em dois atos (ou mais)

- Ato 1 -

A vida andava, ou melhor, se arrastava sem grandes emoções. Os quilos acumulavam-se feito pizza com borda recheada de catupiri (ou chaeder, como preferir). A diferença básica é que sua mulher até pode gostar da borda de catupiri na pizza, mas em você meu amigo, esquece. A minha passou a me chamar de "Bonequinho da Michelin". E eu, na minha santa ingenuidade pensando que era um apelido carinhoso. Foi quando percebi aquele maldito espelho grande no quarto. Que infeliz idéia de tirar a camisa em frente a ele. Até hoje acho que foi um ângulo equivocado... Não pode! Meu reflexo quase não cabia nele. E olha que não é pequeno não... Foi quando decidi “tomar” uma “atitude”!

Gente, não posso dizer que “tomei” pouco porque estaria mentindo a todos. Foram alguns litros de chopp, devidamente acompanhados dos mais variados quitutes que a culinária moderna, ou nem tanto, podem oferecer a um gordinho feliz: Hackapeter, Hollmops, Nachos, Alcatra, Picanha, Aipim frito enrolado no bacon, sem é claro, deixar de citar o bom e velho amendoim salgado. Estava ficando indignado como, mesmo tomando tamanha precaução, os quilos não diminuíam, pelo contrário, só faziam aumentar. Aumentaram até a incrível marca dos 106 Kg. A única coisa que não me apetecia era a tal pizza com borda de catupiri...

Quando casei, compramos um bom colchão, com dois anos de garantia. Após um ano e meio de uso, estava virado numa canoa. Minha esposa reclamando de dor nas costas. Já não agüentando mais as reclamações, decidi “tomar” mais uma “atitude”.

- Vou pegar esta porcaria de colchão e vou reclamar a garantia.

O susto foi grande quando, cheio de razão, peguei o termo da garantia e resolvi dar uma “espiada”, daquelas “só pra confirmar”. Escrito em letras garrafais estava o fatídico número 90. 90 Kg de limite de peso. Lembrei-me naquele instante que, ao casar e comprar o colchão, havia pensado com meus botões: “Nunca que eu vou passar dos 90 Kg!”. Triste ilusão. Sutil como um martelo batendo no meu dedão sobre uma bigorna gélida, ecoou em minha cabeça aquele apelido carinhoso que minha esposa passara a utilizar com sua doce voz: “bonequinho da Michelin”. Somou-se ao fato do colchão, e do apelido carinhoso, uma alta na pressão sanguínea que quase me derrubou dentro de uma agência bancária da cidade. Foi quando decidi não mais “tomar” aquela “atitude”!

Ciente de que estava um pouco fora de forma, embora apenas com alguns quilinhos acima do peso ideal, decidi fazer um regiminho só pra agradar a patroa. Não que eu precisasse, pois, na minha opinião o colchão, de bom, passara a ser vagabundo no instante em que vi aquele 90 Kg das letras garrafais.

Passei a não mais freqüentar as noitadas de chopp, deixei de comer coisas muito gordurosas, aumentei a dose de frutas e verduras, à noite, só uma fatia de pão. Perceba que praticamente deixei de viver. Comprei uma bicicleta, passei a pedalar 15 Km por dia, correr três vezes por semana, chegando ao ponto de fazer cerca de 1.500 abdominais por dia. Foram dias difíceis. Ao final de 4 meses árduos, havia perdido 14 Kg. Gente, vou dizer-lhes uma coisa. Como é bom poder olhar aquele maldito espelho e ver que o reflexo voltou a caber lá dentro... Até colchão novo comprei pra comemorar a nova fase. Bonequinho da Michelin, nunca mais...

Paralela à minha história, a de outro ser humano se desenrolava, com mote semelhante. Gordinho, fora de forma, batalhando para realizar uma prova de seleção em um concursozinho qualquer destes que vivem tendo resultados forjados, o jovem AOPadilha vem fazendo esforço descomunal para cumprir todas as “provas” de aptidão física dentro dos tempos previstos pelo concurso. Ingênuo como só ele e eu, apesar de cumprir todas as metas estabelecidas no concurso, foi desclassificado só Deus e os bandidos sabem como. No Brasil, sabe como é, o pessoal adora ter sua mão molhada, sendo enxugada por notas verdinhas. Mas o jovem AOPadilha não desanimou e resolveu que queria fazer algo GRANDIOSO em sua vida simplória. Numa noite de sono pesado, “sonhou”, ou teve um “pesadelo”, (até hoje não encontrei a definição exata), que um dia cruzaria a linha de chegada de uma meia-maratona. Ao acordar, concluiu o jovem cidadão que esta era uma boa idéia. E o que é pior... desafiou-me a compartilhar esta GRANDIOSA GLÓRIA. Como todo bom semi-gordinho, agora acreditando estar em plena forma física aos 92 Kg, aceitei o desafio.

Firmou-se o pacto. Em um ano, estaremos correndo uma meia-maratona. Não para ganhar, mas para podermos um dia, dizer aos nossos filhos que fizemos algo útil nessa vida, se é que pode-se chamar isso de "útil"...

Continua em breve...

Brasileiros estão com febre... ... febre de ORKUT

Mesmo que você não seja um assíduo freqüentador da Internet, certamente já ouviu alguém comentando sobre um tal de ORKUT (www.orkut.com). O site de relacionamentos criado pelo engenheiro turco Orkut Buyukkokten, faz parte agora do império da Google e virou febre entre os brasileiros que já se firmaram como seu maior público. E, importante que se diga, público este que não é composto apenas por jovens, muito pelo contrário, cada vez mais adultos estão aderindo à nova mania.

O ORKUT é uma ferramenta extraordinária que permite manter sua rede de relacionamentos sempre em contato. Através dele é possível fazer novas amizades, bem como reencontrar amigos que por algum motivo se perderam do nosso convívio. Permitir o contato, mesmo que virtual, com aqueles de quem gostamos e de quem não pretendemos esquecer é, sem dúvida, o maior benefício deste site.

Outra característica do ORKUT é permitir que você participe das chamadas COMUNIDADES. Estas variam dos temas mais absurdos aos mais relevantes imagináveis.
Se você gostava do chocolate Lolo (o da vaquinha), pode participar da Comunidade “Milkybar, volte a ser Lolo!”. Se você gosta de futebol, pode participar da comunidade do seu time do coração, ou ainda, pertencer à comunidade “Jovens Luteranos do Brasil”. Nestas comunidades você pode opinar e trocar idéias com seus integrantes, em uma espécie de fórum de discussão. É interessante observar que as comunidades do ORKUT podem ser utilizadas, por exemplo, como uma nova área de missão da Igreja, onde é possível se discutir sem violência temas, polêmicos ou não, ajudando muitas pessoas a descobrirem e fortalecerem a sua fé.

Infelizmente, assim como outras ferramentas disponíveis na Internet, o ORKUT não consegue barrar as pessoas mal intencionadas. A grande maioria de seus usuários está interessada em relacionar-se sadiamente com seus amigos, porém há aqueles dispostos a infernizar a vida dos outros, enviando recados indesejáveis, copiando seus dados e criando nomes falsos com estes, pelo simples prazer de denegrir sua imagem. Não é novidade que haja comunidades que incentivem ações como racismo, pedofilia, violência contra a mulher, nazismo, etc. A equipe que gerencia o site tem procurado identificar tais pessoas, buscando puni-las, mas isso num universo de milhões de usuários não é algo muito fácil. Cabe a cada pessoa de bem fazer a sua parte denunciando tais ações de vandalismo virtual à Polícia ou ao Ministério Público. Pela legislação brasileira, constitui crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito com base na raça, cor, etnia, religião ou nacionalidade do indivíduo. A condenação vai de 2 a 5 anos de prisão, além de multa considerável.

A Internet vem revolucionando a maneira como as pessoas interagem entre si. Qualquer pessoa pode hoje gratuitamente criar seu próprio blog, fotolog, fórum de discussão, ou ainda participar do próprio ORKUT, expondo seus ideais, experiências de vida, exibindo suas fotos aos amigos, bem como aos desconhecidos. Sua vida passa a ser um verdadeiro “livro aberto”. A pergunta em voga é: até que ponto esta exposição demasiada beneficia o indivíduo e onde começa a se tornar prejudicial? O problema fica evidente quando as pessoas deixam de se relacionar pessoalmente priorizando encontros virtuais, onde a vergonha, a mentira e a malandragem não é percebida pela pessoa que está do outro lado da tela. Torna-se cômodo fingir ser outra pessoa, muitas vezes omitindo a verdadeira identidade.

Há em tudo isso uma certeza: a de que nada substitui o contato pessoal, o calor humano, o estar frente a frente, olho no olho, verdadeiramente presente, curtindo cada emoção, seja um choro, um sorriso, um simples aperto de mão ou um abraço. Deus nos deu a liberdade e a capacidade de decidir o caminho que pretendemos trilhar. Outra certeza temos: a de que um dia, seremos julgados por nossos atos e decisões. Nosso desafio, nem sempre fácil, é trilhar o caminho de Deus, seja ele real ou virtual.